O Ministério da Fazenda tem medidas prontas para recuperar o ajuste
fiscal do governo. Elas combinam novos cortes de gastos com mais
aumentos de tributos. No lado dos gastos, o governo esbarra no
engessamento do Orçamento. Cerca de 90% de todas as despesas federais
são obrigatórias, isto é, não podem ser cortadas. Neste caso, a equipe
do ministro Joaquim Levy tem preparado projetos de leis que alteram
regras da Previdência - área onde a "sangria" com os gastos é maior.
O déficit da Previdência vai saltar de R$ 56 bilhões em 2014 para R$ 125
bilhões em 2016, uma trajetória que, na Fazenda, técnicos comparam com a
do Titanic prestes a atingir um iceberg. As medidas preveem apertos
duros nas concessões de auxílio-doença e da aposentadoria por invalidez,
além de mudanças na qualificação dos beneficiários para que possam
voltar ao mercado de trabalho e do estabelecimento de uma idade mínima
para homens e mulheres se aposentarem. O Brasil é um dos poucos países
que não conta com regra de idade mínima, apontam técnicos da equipe
econômica, numa das raras reformas onde há sintonia pura entre Levy e o
ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.
Mudanças na Previdência, no entanto, serão discutidas com sindicalistas e
empresários antes de serem enviadas ao Congresso. Mesmo que sejam
aprovadas, os efeitos somente ocorrerão a longo prazo. Mas o governo
entende que haverá sinalização importante para o mercado e as agências
com a discussão da reforma.
Outra proposta na mesa é uma revisão dos contratos de custeio da máquina
pública. Ainda não se sabe, porém, quais seriam. Um auxiliar da
presidente Dilma Rousseff disse ao Estado que a ideia é fazer um
"pente-fino" nas contas, na tentativa de encontrar uma solução.
No lado da arrecadação, o governo ainda não desistiu totalmente da
recriação da CPMF, que poderia ressurgir com uma promessa fixada em lei
de que duraria por apenas 24 meses, dando ao governo uma margem de
manobra para arrumar as contas públicas. Outras saídas continuam em
estudo, como a taxação de grandes fortunas, como deseja o PT, e mesmo a
tributação com Imposto de Renda a 15% dos lucros e dividendos
distribuídos pelas empresas, que poderiam, em contrapartida, receber
desonerações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Essa saída poderia
render até R$ 40 bilhões ao governo, mesmo excluindo as empresas
inscritas no programa Super Simples.
Reunião - A presidente deve começar neste domingo, na reunião que fará
no Palácio do Alvorada, a colocar em prática as manifestações de apoio
dadas por ela e seus ministros petistas a Levy. Considerado pelo mercado
financeiro e pelos investidores internacionais como "âncora" da gestão
Dilma, Levy avalia que reverter o rombo de R$ 30,5 bilhões no Orçamento
de 2016 e buscar a meta original de esforço fiscal é a única forma de
evitar um rebaixamento do Brasil perante as agências de rating.
O Estado de S. Paulo.

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